Com a última reforma eleitoral, ou mini-reforma, como ficou conhecida, a Internet passou a ser a vedete, a “menina dos olhos” dos políticos e dos profissionais de marketing político. Na verdade, o que se fez foi permitir que os políticos utilizem a Internet para fazer campanha além do seu site oficial e que arrecadem dinheiro pela rede. Outra mudança foi o fato de que o site do candidato poderá ficar no ar no dia da eleição.
A questão que eu coloco é: existe um real motivo para tanto alvoroço em cima da Internet? A minha resposta é sim e não. Uma das causas para esse alvoroço é o Efeito Obama. Ou seja, os políticos finalmente acordaram para o poder de mobilização da Internet. Oras, mas isso não é fato novo. Os movimentos sociais, em especial os de caráter mais libertário já haviam percebido isso. Prova: Centro de Mídia Independente e Movimento de Rádios Livres. O Centro de Mídia Independente é fortemente ligado aos chamados, erroneamente, “Movimentos Anti-globalização”. Ou seja, tal poder da Internet, o de mobilizar politicamente já era conhecido. Por isso, o motivo para a existência de tanto alvoroço é o mesmo para que não existisse tal alvoroço.
É importante ressaltar também que a Internet não é novidade nas eleições. Durante o pleito de 2006, ela, em especial pelas redes sociais, já desempenhou um papel importante, ainda que secundário na campanha. Prova disso foi o artigo escrito por Rosemary Segurado, onde ela analisou a campanha do voto nulo, feita através do site do Centro de Mídia Independente. Além disso, também existem os artigos de Sérgio Amadeu da Silveira , que estudou a internet nas eleições de 2006; e de Clóvis Barros Filho, Marcelo Coutinho e Vladimir Safatle , que estudaram o uso das novas mídias nas eleições de 2006.
Isso deixa claro que a Internet não é um fenômeno novo na vida política e eleitoral do país. O que existe de novo é o caso das eleições norte-americanas, que gerou mobilização e milhões em recursos para a campanha do Obama, e a liberação oficial para a realização de campanha pela Internet. A grande novidade é o fato de poder arrecadar recursos através da Internet, algo impossível nas últimas eleições. Assim, é importante colocar a pergunta: a Internet vai desempenhar um papel importante nas eleições de 2010?
A resposta é que sim. A Internet será fundamental nas eleições de 2010 e quem souber trabalhar com ela, e também quem já trabalha de modo profissional com ela, sai na frente. No entanto, não dá pra achar que ela vai substituir a televisão no caso das eleições majoritárias, como a de presidente. O Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral continuará a ter um peso muito grande nessa campanha. Além disso, existe a chamada seletividade. Ou seja, a pessoa vê aquilo que lhe interessa, ela não vai atrás do que não gosta. E a política é uma atividade que anda com a popularidade em baixa no Brasil.
Agora no que diz respeito às eleições proporcionais (deputados federais e estaduais), a Internet pode e deve ser uma ferramenta de fundamental importância, já que ela permite um contato mais direto e próximo ao eleitor. É uma ferramenta também de prestação de contas para a sociedade. Assim, um site, um perfil no orkut, facebook, twitter, blog e por aí vai, é muito bem-vindo e todos os que estão na Internet têm o dever de participar e cobrar coerência dos políticos. Assim, a maior colaboração que a Internet traz para as eleições de 2010 é uma maior aproximação dos políticos com a população e a possibilidade de maior transparência e fiscalização por parte desta.

